Domingo, 22 de Abril de 2012

Estória do Claro e da Bruta.

Como prometi no post anterior, aqui está a *outra* história que contei à inês.

 

 

Era uma vez dois cavalos. Eram muito altos e fortes, os únicos do prado (pelo menos num raio de 300 km) e gostavam muito de correr juntos, testar os limites. Um dia chegaram uns índios montados em mulas e acabaram por cerca-los. Mataram o mais escuro e alimentaram a tribo, o mais claro deram-no ao Chefe. O Claro ficou triste porque já não tinha um amigo com quem correr, e o chefe era gordo e pesava muito nas costas dele, e ele não gostava nada de correr com tanto peso no lombo como o Claro não gostava do chefe por ele ser gordo e pesado, conseguiu esquivar-se do acampamento, mas ainda sentia muito a falta do Escuro, por isso voltou para o Chefe. Mas agora não o deixava montá-lo, ripostava sempre que o balofo lhe pegava as rédeas e tentava subir para cima dele

Acabou por se tornar um cavalo inútil. De noite fugia para correr, como não via tão bem não lhe custava tanto imaginar o Escuro a seu lado. Quando voltava passava o dia a pastar e a 'mirar las chicas'.

Mas um dia, grande parte dos índios machos saíram a cavalgar, apenas as mulheres ficaram a tomar conta da civilização (crianças, tendas e animais, basicamente). Voltaram com 2 éguas maravilhosas. Também muito altas, musculadas. O chefe não gostava delas, mas não tinha opção. Eram as únicas fêmeas que os índios tinham encontrado nos últimos anos, a que tinham com eles estava caquética e muito muito velha.

Chamavam-se Branca e Bruta, Sendo a Branca branca e a Bruta... bruta. O Claro ficou bastante excitado com a ideia de ter novas companheiras, ensinar-lhes-ia como fugir durante a noite. Correram os três na primeira noite, foi pena a Branca se ter perdido. Pobre coitada, nunca mais ninguém a viu.

A Bruta não era de falas mansas, mas se havia coisa que apreciava era a liberdade. As escapadelas nocturnas sabiam-lhe muito bem. Aprenderam a gostar um do outro, de certo modo, completavam-se, como se a Bruta tivesse assumido o lugar do Escuro e o Claro o lugar da Branca.

Ficaram os dois uns langões. Passavam o dia a dormir e a comer. O Chefe não gostava nada disso, só lhe causava despesas. O Claro já estava um expert na linguagem corporal dos índios, e percebeu que o melhor era fugir e nunca mais voltar. A Bruta acompanhou-o nesta nova jornada. Sairam de noite, como era hábito, e voltaram para o prado onde a Claro e o Escuro foram felizes - agora sem Escuro, mas com a Bruta. Não voltaram a ter ploblemas com o Chefe gordo nem com os restantes índios. Eram felizes e assim continuaram durante muito muito tempo.

Nunca mais ninguém os chateou, mas houve um dia em que a Branca apareceu e eles ficaram ainda mais felizes, mas isso foi muito tempo depois Ela ficou feliz, estava com muitas saudades da Bruta e do Claro. Foi uma festa. Foram sempre felizes. Sempre. Nunca se tornava aborrecido o facto de estarem sempre juntos.

 

Os finais felizes são possíveis, mas não os vemos.


publicado por jess às 23:01
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