Sábado, 5 de Novembro de 2011

Psicologia Analítica

Chama-se E. e é perfeita. A meu ver.

Quem me conhece (verdadeiramente) sabe do que falo, tenho uma forma muito peculiar de ver as pessoas que me rodeiam. Mas não vou falar de mim. Vou falar da E., que é perfeita.

Ela não anda, ela dança pelos corredores e pela rua . Em tudo o que faz transmite-me aquela sensação de leveza avassaladora, derrete-me o coração com o mero acto de abrir o porta moedas. Não gosta de fazer barulho, muito menos de ser o foco das atenções. Quando caminha estica muito as pernas, quando conta alguma coisa mais emocionante não pára com os pés; são tiques que apanhou nos últimos 10 anos.

Sim, os pés da E.. Por vezes até ne afasto só para apreciar os movimentos dela. Mãos atrás das costas, pernas quase rectas, não parece sair do lugar à primeira vista, mas se olhar com mais atenção, os pés não páram. Cruza os pés, descruza os pés, foge à esquerda, foge à direita, estica o pé direito à frente, volta a cruzar, toca com a ponta do pé esquerdo no chão, vai à frente e cruza novamente.

Falta-me coragem para a olhar nos olhos sem dizer uma palavra, só olhar... Temos sempre aquele momento a meio de uma conversa de "hum...", "é isso mesmo", "grande ideia", "sei exactamente o que me queres dizer", "estou a ver...", e aproveito esses escassos momentos para estudar o seu olhar, porque se há coisa que eu queria, era saber o que pensa, olhando apenas para os olhos dela, castanhos, que eu adoro.

E o sorriso... Basta-me vê-la feliz e a contrair os músculos faciais que faço o mesmo, é contagiante. E cada sorriso tem um segredo, guardado no cofre mais seguro de que alguma vez tive conhecimento: o pensamento, a mente dela. Há sempre alguma coisa que alguém diz que faz com que ela solte um sorriso maroto embrulhado num riso que, me atrevo a dizer, um pouco sarcástico. Que eu adoro.

À uns meses, talvez já mais de um ano, vi-a chorar. Não a conhecia como conheço hoje, sabia que se chamava E., pouco mais. Ela estava sentada. A meio do banco, com os joelhos inclinados para a sua direita; pés cruzados, ligeiramente atrás da linha dos joelhos, apoiados na lateral direita. Tinha as mãos juntas em cima das pernas, as costas dobradas à frente (uma postura bastante incorrecta) e com a cabeça tombada, com o cabelo daído pelo lado, tamando parte da sua bela face.

Ela nunca estava sozinha, nunca isolada daquela maneira. Seria tristeza? Raiva? Não faço idéia, só a vi levantar a mão esquerda e passá-la pelo rosto, limpando uma possível lágrima.

Quis ir lá, sentar-me lá e dar-lhe a mão. Dizer coisas sem nexo e roubar-lhe um sorriso, fazer qualquer coisa para deixar de a ver naquele estado. Mas não fui. Não fui por timidez, cobardia. E acabei por fazer o mais correcto.

Aprendi que ela é uma pessoa que precisa de espaço nestas situações, não gosta que a chateiem. Prefere estar sozinha e pensar para si, estar com ela própria e resolver-se da melhor forma.

É uma das coisas que adoro na E.. A misteriosidade, a descoberta, ter de lutar para ganhar a confiança dela.

Ela é perfeita. A meu ver.

 

 

 

E., se algum dia leres isto,      

Desculpa.

 

jess

música: Elliott Smith - Between the Bars

publicado por jess às 01:49
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